O Mercosul e os Estados associados obtêm uma redução de quase 70% no preço de compra de um medicamento essencial

26/11/2018

Desde sua criação, o Mercosul (Mercado Comum do Sul) tem entre seus principais objetivos “promover um espaço comum que gere oportunidades comerciais e de investimento por meio da integração competitiva das economias nacionais no mercado internacional”. Um resultado que torna visível que eles alcançaram esse objetivo é que os países que compõem o bloco regional anunciaram, na sexta-feira, 23 de novembro, que conseguiram uma redução de preço de um medicamento para tratamentos em relação aos transplantes.

De acordo com um comunicado do bloco, “a negociação conjunta dos preços de um medicamento foi desenvolvida para reduzir a rejeição do órgão em pacientes transplantados, no contexto do processo de redução de preços”. Este é o Tacrolimus, cuja compra será feita por meio do Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o que significa que os países do bloco obtêm um preço substancialmente inferior à melhor oferta recebida individualmente.
O ministro uruguaio da Saúde Pública, Jorge Basso, observou que o Tacrolimus “é uma droga imunossupressora para reduzir a rejeição de órgãos em pacientes transplantados”.

Embora as economias variem de acordo com o país da região e a dose de medicação, considerando a demanda atual e os novos preços obtidos, estima-se que haverá uma queda nos gastos da ordem de 69%.
Segundo a declaração do Mercosul, os remédios para o tratamento da hepatite C também marcaram a agenda da reunião. “Embora as reduções de preço tenham sido obtidas, a falta de flexibilidade de algumas empresas que desempenham um papel decisivo na produção dificulta o objetivo de expandir progressivamente a cobertura do tratamento com vistas a eliminar a hepatite C até 2030, de acordo com a Estratégia aprovada na OMS”, mostrou as autoridades sanitárias da América do Sul.

Angela Acosta, especialista em Medicamentos e Tecnologias da Saúde do ISAGS, saudou a notícia. “Tendo este tipo de resultados preços de negociação de medicamentos essenciais, tais como Tacrolimus é valiosa para países mesma forma, têm pontos de vista políticos que promover outros tipos de ofertas, como aconteceu com anti-retrovirais de ação direta utilizados no tratamento da hepatite C, afirma a soberania farmacêutica regional”.

Além do uruguaio Basso, esteve presente na reunião o subsecretário da Saúde da Argentina, Adolfo Rubinstein – que recebeu a presidência pro témpore da Comissão de Saúde do Mercosul pelo seu homólogo uruguaio -; o secretário de Vigilância em Saúde do Brasil, Osnei Okumoto, e o ministro da Saúde e Previdência Social do Paraguai, Julio Mazzoleni. Dos Estados associados estavam Alfredo Bravo, representando o Ministério da Saúde do Chile; o vice-ministro da Governança e Vigilância Sanitária do Equador, Carlos Durán; e o peruano José Gonzales, do Ministério da Saúde de seu país.

Basso comentou que na reunião realizada na sexta-feira 23 de novembro, na sede do Mercosul (Montevidéu), três resoluções foram assinadas: uma ligado ao tema do sangue e seus derivados, para buscar a auto-sustentabilidade dos países ; outra ligado à saúde sexual e reprodutiva, a fim de diminuir a transmissão vertical do HIV / AIDS e sífilis, para promover o controle da gravidez e promover o primeiro nível de atendimento; e a terceira, continuar trabalhando nas mudanças climáticas da área de saúde.

A realidade epidemiológica da região, os desafios relacionados às doenças transmissíveis evitáveis com vacinas e outros que devem ser monitorados com barreiras muito estreitas, para fornecer respostas em tempo real, também foram revisados.
Finalmente, os países da região disseram que “estão comprometidos com o esforço, para continuar e melhorar essas áreas grupos de produtos farmacêuticos que têm grande impacto nos sistemas de saúde abrangentes, devido ao seu alto custo, melhorando preços através deste mecanismo comum para o apoio e fortalecimento de políticas públicas na região”.

 

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