OPAS e CDC apresentam um guia de preparação e resposta à eventual introdução do vírus chikungunya

16/01/2015

A organização Pan-americana de Saúde (OPAS), em colaboração com os Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, publicou um novo guia sobre o chikungunya, um vírus transmitido por mosquitos que causa febre e dores nas articulações. O guia de “Preparação e Resposta à eventual introdução do vírus chikungunya nas Américas” visa ajudar os países das Américas a melhorar seus esforços para detectar o vírus e para preparar programas de monitoramento, prevenção e controle da doença, caso ela surja.

Nos últimos cinco anos, centenas de pessoas que viajaram das Américas para a Ásia e África foram infectadas pelo vírus chikungunya. Ainda que atualmente não haja uma transmissão autóctone desse vírus nas Américas, os especialistas estimam que há um claro risco de que seja introduzido nas populações de mosquitos vetores locais.

Uma transmissão autóctone significa que as populações de mosquitos que residem nas Américas poderiam ser infectadas com o vírus, começando a transmiti-lo às pessoas que estejam na área.

Entre 2006 e 2010, foram detectados em viajantes que regressavam aos Estados Unidos 106 casos de chikungunya confirmados (ou prováveis) em laboratório, diante de apenas 3 casos reportados entre 1995 e 2005. Desde 2004, o vírus de chikungunya vem causando surtos massivos e constantes na Ásia e na África, onde mais de 2 milhões de pessoas foram infectadas, com taxas de até 68% em certas áreas. Devido ao movimento dos viajantes, foram registradas transmissões localmente em áreas onde antes o vírus não havia sido encontrado, como no norte da Itália e no sul da França. Foram relatados nove casos nos territórios franceses das Américas desde 2006 (três na Martinica, três em Guadalupe e três na Guiana Francesa). Até o momento, nenhum dos casos relacionados a viagens ocasionou uma transmissão local, mas esses casos documentam um risco contínuo de introdução e possível transmissão sustentada do CHIKV nas Américas, segundo os especialistas.

O nome “chikungunya”, de origem makonde, significa “aquele que se encurva”. Ainda que a doença raramente cause a morte, em alguma pessoas a dor nas articulações pode durar meses ou anos. Não existe um tratamento específico nem uma vacina comercialmente disponível para prevenir a infecção desse vírus. Ele é transmitido através da picada de mosquitos como o Aedes aegypti e o Aedes albopictus. O Aedes aegypti, que também pode transmitir a dengue e a febre amarela, está presente nas zonas tropicais e subtropicais das Américas.

O Aedes albopictus é encontrado nas áreas mais temperadas das Américas e está espalhado nos estados do sudeste e na costa leste dos Estados Unidos.

“A ampla distribuição de vetores competentes, somada à falta de exposição ao vírus da população americana, põe a região em risco de introdução e disseminação do vírus”, advertem no prólogo deste guia os doutores Otavio Oliva, Assessor para Doenças Virais da OPS, José Luis San Martín, Assessor para Dengue da OPS, e Roger S. Nasci, Chefe da Sessão de Doenças Arbovirais do CDC.

“Os viajantes infectados com o chikungunya continuam trazendo o vírus as Américas, incluindo os Estados Unidos”, disse Nasci. “Este guia provê toda a informação necessária para desenvolver um plano regional abrangente para detectar rapidamente e, assim esperamos, reduzir o impacto potencial do vírus chikungunya no continente”, adicionou.

“Somente através de uma ação forte e coordenada diante de uma possível introdução deste vírus, podemos esperar evitar que se estabeleça uma transmissão local”, afirmou o doutor Oliva.

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