Políticas que respondem à crise econômica com austeridade fiscal fazem mal à saúde

29/04/2018

Estudo recém-concluído, de revisão, abrangendo o período 2006- 2017, sobre a relação crise-austeridade, verificou que as políticas econômicas que optaram pela austeridade fiscal como forma de enfrentamento da crise foram as que produziram maior impacto restritivo sobre os sistemas e serviços de saúde. O trabalho foi realizado pelo Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz), tendo à frente os pesquisadores Joyce Mendes de Andrade Schramm, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), o epidemiologista e especialista em avaliação de políticas públicas Rômulo Paes-Sousa, do Centro de Pesquisas René Rachou da Fiocruz, e o pesquisador colaborador do CEE, Luiz Villarinho.

Os artigos estudados pelos três referiram-se, em sua maioria, aos países do Hemisfério Norte, tendo sido encontrada literatura restrita em relação à América Latina e ao Brasil. Isso chamou atenção para pelo menos dois pontos importantes, como observa Joyce Schramm, nesta entrevista para o blog do CEE-Fiocruz. Um deles é a necessidade de se produzirem evidências sobre o Brasil e a América Latina. O outro refere-se à possibilidade de a crise econômica no país combinada com medidas de austeridade fiscal – expressas na Emenda Constitucional 95, de 2016, que congela os gastos públicos por 20 anos –, resultar em uma situação ainda mais grave do que a vivenciada pelos países desenvolvidos que possuem sistemas de saúde mais estruturados.

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