Vários olhares, um mesmo espírito: a integração regional em saúde a partir do VIII Conselho Consultivo do ISAGS

08/04/2019

Com as águas de março fechando o verão, como diz a canção de Tom Jobim e justamente pelo aeroporto que leva o nome do compositor, chegaram representantes de vários países da Unasul para a reunião do Conselho Consultivo do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde (ISAGS), nos dias 27 e 28 de março, no Rio de Janeiro.

Participaram da reunião representantes da presidência pro tempore da UNASUL, atualmente encarregada da Bolívia, e os Ministérios da Saúde do Equador, Suriname e Venezuela. Durante dois dias foram ditas frases como: “Há uma posição clara entre os nossos povos em favor do direito à saúde como princípio”; “Esta região tem sido líder na elaboração de políticas para garantir o acesso à informação para os cidadãos”; “A medicina social é uma ponte que une nossos países”; “A cooperação técnica em saúde entre nossos países é sempre muito bem-vinda.” Todas essas frases são citadas e separadas porque têm um autor diferente, mas um espírito único: a integração regional na saúde.

Representantes da Secretaria da Rede de Escolas de Saúde Pública da UNASUL, além da equipe do ISAGS, também participaram dos debates. Foram também apresentadas todas as atividades em que estamos trabalhando atualmente e aquelas realizadas no último ano.

Entre as pautas apresentadas, destacamos os estudos lançados sobre a Interferência da Indústria de Alimentos nas Políticas de Etiquetagem Processada; Mecanismos de Participação Social na Saúde na América do Sul; Vigilância em Saúde na América do Sul: epidemiológica, sanitária e ambiental; e, sobre a Situação dos Medicamentos Essenciais com Risco de Falta com Ênfase nos Países da América do Sul.

“O Conselho Consultivo ISAGS foi criado pelos Ministros de Saúde da região sul-americana como um espaço de debate para a reflexão sobre as prioridades técnicas da região, a fim de garantir que o ISAGS, como um centro de pensamento estratégico em saúde, forneça um apoio efetivo aos esforços dos governos sul-americanos para conseguir o pleno exercício do direito à saúde para toda a população “, afirmou Carina Vance, diretora executiva do ISAGS.

Fernando Zambrana Mar, representando o Ministério da Saúde da Bolívia, país que detém a Presidência Pro Tempore da Unasul disse que “esta reunião enriqueceu muito nosso postura em relação ao acesso à saúde como um direito humano. A medicina social é uma importante linha de ação e nossos países estão nesse caminho”.

Para Carlos Duran, vice-ministro de Governança e Vigilância em Saúde do Equador, “foi um encontro crucial, apesar das dificuldades que todos conhecemos. O ISAGS está desenvolvendo um trabalho fenomenal e estou agradavelmente surpreso com os produtos que foram realizados durante o ano passado, no marco das dificuldades políticas e orçamentárias pelas quais a região está passando “.

Por sua parte, María Esperanza Martínez, Diretora Geral de Política Pública do Ministério da Saúde da Venezuela, o Conselho “foi um encontro muito positivo que nos permitiu apreciar o esforço feito por uma instituição como ISAGS”, a qual definiu como “um espaço muito importante para a saúde pública de nossos países, que devemos preservar, conservar e continuar a enriquecer. Foi bom poder ouvir os camaradas do Equador ou do Suriname. Pode haver muitas diferenças entre os nossos países, mas, se estamos alinhados em algo, é em nossa posição clara em favor do direito à saúde como um princípio. Esse é um tema que está instalado na consciência dos povos sul-americanos “.

Outro país que participou do Conselho foi o Suriname. Wendy Telgt Emanuelson, Chefe do Departamento de Planejamento, Pesquisa e Monitoramento do Ministério da Saúde do país, saudou a reunião como “muito importante, especialmente à medida que novos projetos de cooperação técnica em saúde são sempre muito bem-vindos” e também porque “O ISAGS tem o potencial de promover um diálogo muito interessante em termos de pesquisa”.

 

Dificuldades a serem superadas

Instâncias como essa também servem para destacar as dificuldades que estão particularmente envolvidas em cada um dos países e, por sua vez, visualizam problemas de saúde e oportunidades comuns a partir de uma perspectiva regional.

Para o vice-ministro Duran, do Equador, um dos problemas com os quais os países precisam lidar é “o pedido de grupos externos para acrescentar medicamentos caros a nossas listas de medicamentos essenciais”. E continua: “o que é fundamental para nós é fazer prevalecer a ideia de que precisamos cobrir os melhores remédios, o que implica que eles estão sob preceitos de eficácia, segurança e sustentabilidade financeira”.

Entre as dificuldades identificadas pelo representante da Venezuela está a de “alcançar uma integração mais profunda. Embora façamos intercâmbios, temos dificuldades quando se trata de saber o que um país está fazendo e o que o outro está trabalhando em termos de saúde”.

 

Políticas e estratégias de médio e longo prazo

Os representantes dos países presentes na reunião compartilharam experiências e apresentaram propostas sobre como melhorar as estratégias de comunicação entre o Instituto e os escritórios de relações internacionais dos ministérios da saúde dos países da região. Também foram discutidos os principais temas a serem considerados nas atividades do ISAGS, tendo em conta o calendário de encontros internacionais com participação conjunta de países sul-americanos, como o caso da 72a Assembleia Mundial de Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), a ser realizada de 20 a 28 de maio em Genebra, Suíça.

Após dois dias de trabalho, a reunião do Conselho Consultivo foi encerrada. Com base nas lições aprendidas e no trabalho realizado, ainda há muito a ser feito em termos de integração regional em saúde.

 

Daniel Salman
Coordenador de Comunicação e Informação
danielsalman@isags-unasur.org

Compartilhar